José Decq Mota – Candidato da CDU à CMH - Os que dizem que morri têm medo de mim

quinta-feira, 12 de março de 2009

José Decq Mota é, conforme já noticiámos, o candidato pela CDU para as próximas eleições autárquicas e promete “encabeçar um projecto de futuro” e para tal “ganhar a presidência da Câmara, tornando-se na força mais votada, para dar mais força a um projecto de desenvolvimento sustentado do Faial.

 

 

Tribuna das Ilhas - Quais foram os motivos da sua recandidatura à corrida pela presidência da Câmara Municipal da Horta?

José Decq Mota – A CDU tem para o Faial um projecto autárquico. Dentro dos princípios gerais que a CDU tem para os concelhos do país, no Faial esses princípios tiveram um conceito especial porque durante vários anos fizemos uma luta de afirmação. Como fomos procurando dar respostas aos problemas, alguns bem complicados, que se punham a esta ilha, em 1997 demos um salto qualitativo e conseguimos por em causa o bipartidarismo de representação. Durante muitos anos a CMH teve apenas dois partidos na sua gestão, mas nós contrariamos isso. Em 2005 conseguimos mesmo eleger dois vereadores e contrariar as maiorias absolutas.

Conquistamos assim um vereador ao PS e outro ao PSD. O nosso objectivo agora é tão ambicioso quanto estes foram. Para este ano o nosso objectivo é, claramente, reforçar a nossa influência. Nós temos influência, estamos no governo do município, mas queremos reforçar isso e para isso queremos a presidência.

Estes objectivos estão inseridos numa luta lógica, não é por golpes de sorte ou magia, mas resulta sim dum trabalho reforçado que desenvolvemos, primeiro com a perspectiva de denúncia de situações, posteriormente com o demonstrar de caminhos possíveis e, nestes últimos três anos e meio, na perspectiva de que temos mostrado que somos capazes de contribuir para um governo equilibrado.

 

Depois de tudo o que tem vindo a lume, e das acusações que lhe tem sido feitas, nomeadamente de se ter “escondido” na CMH após a coligação, não tem receio de que as pessoas não depositem confiança em si?

A pergunta é pertinente e curiosa e é importante que essa questão seja posta… Disponibilizámo-nos para participar num acordo pós-eleitoral em 2005 e é obvio que, se toda a vida nós tínhamos contestado a maioria absoluta, quando deixou de a haver, nós tínhamos que estar disponíveis para ajudar a construir uma alternativa. Voltar as costas a isso era o mesmo que dizer que a nossa luta tinha sido vazia, sem objectivos. Apostámos num acordo que possibilitasse modificações por um lado e estabilidade pelo outro.

Quando, de forma sistemática e sem lógica de espécie alguma dizem “o Decq Mota calou-se”, “o Decq Mota não aparece” e “o Decq Mota acomodou-se”, isso não corresponde à verdade. Quem diz isso sabe que isso não é a realidade e ao acreditar estão a cometer uma profunda injustiça.

 

E não tem medo que isso se possa revelar no dia de ida às urnas?

O que tenho que fazer é explicar às pessoas, e muito bem, o que se passou. O que a CDU tem que fazer é demonstrar que estamos lá todos os dias com um esforço muito grande a contribuir para resolver coisas cuja resolução exigíamos. Podem dizer “ah este mandato é igual aos outros em que o PS estava sozinho”, pois bem, isso não é verdade. Há diferenças profundas e nós temos feito essa luta.

Sinto que sou atacado de forma violenta, nomeadamente pelo PSD, procurando dar a ideia de que eu deixei de contar na política do Faial.

 

E não será um pouco essa a ideia que Aníbal Pires transmitiu, não há muito tempo, quando afirmou aos OCS que não sabia quem seria o candidato na Horta quando, em Julho passado, José Decq Mota o tinha afirmado, em primeira mão, a este semanário? Como estão as relações dentro do partido?

O que o presidente do PCP quis reflectir foi que no nosso partido, ao contrário de outras forças políticas, é de que as decisões fundamentais em relação a autarquias são tomadas a nível de base. As relações dentro do partido são as melhores. Há o melhor relacionamento entre a direcção regional do partido e a estrutura de ilha.

 

Em relação à equipa que o acompanhará. Já conhecemos o segundo nome, Maria do Céu Brito, mas quem serão os restantes elementos?

A lista ainda não está formada. A estrutura da CDU do Faial está a trabalhar activamente na elaboração das listas para as juntas de freguesia e assembleia municipal mas sempre tendo em vista a conjuntura global, ou seja, as eleições europeias, autárquicas e da república. Da minha parte tenho o encargo de trabalhar especificamente na lista da CMH, mas é claro que não vou fazer uma escolha sozinho e isolado. O que tenho feito neste momento é uma série muito larga e aberta de conversas individuais para apurar nomes e disponibilidades para uma lista o melhor possível.

 

E essa lista terá que ser como?

Terá que ser capaz de assegurar no mínimo três mandatos efectivos. Capaz de ter substitutos em número suficiente e até quadros de apoio e enquadramento. Tenho que ter uma lista capaz de ter a maior influência na governação da Câmara. Nunca me preocupei com maiorias absolutas e, reforço, neste momento está já assente o nome de Maria do Céu Brito como segundo nome. Reflectir a CDU nestas eleições e ter uma fortíssima componente de independentes na nossa lista. Isso significa uma partilha de ideias, o que é deveras positivo porque convínhamos, estamos a escolher pessoas.

 

Acha que escolher pessoas pode ser uma mais-valia para si?

Tenho ideia que sim. Acho que aqueles que dizem repetidamente e exaustivamente que eu “morri politicamente” no fundo mostram algum receio. Se eu estou tão morto quanto isso então deixem-me estar quieto no meu canto… neste processo as pessoas contam, a coerência do trabalho que desenvolvem e, nesse aspecto, tenho consciência de que desenvolvi sempre um trabalho com base nos princípios da CDU. Sempre procurei servir a Região Autónoma dos Açores e a ilha do Faial mas sinto-me um político muito regional.

A influência da CDU no Faial modificou-se a partir do momento em que a nossa influência nas freguesias rurais começou a ser importante.

 

O que espera da campanha eleitoral, após este que foi um mandato de governação do PS em parceria com a CDU?

Há algumas pessoas que se têm mostrado confundidas sobre como é que dois partidos que estão na governação vão fazer campanha eleitoral.

Não tenho na campanha eleitoral nenhum problema em defender e assumir as responsabilidades de tudo o que se passou neste mandato. Nós somos co-responsáveis com tudo o que de bom e menos bom aconteceu neste mandato.

O mandato foi um mandato de transição, duma cidade e de um concelho que estava muito atrasada, fase a outros. Refiro-me à sua modernização, nomeadamente ao saneamento básico, cuja obra vai ser adjudicada em breve. Ao porto, que tem início já este mês e a todo um conjunto de situações que nestes quatro anos é que foram desbloqueadas.

 

Quando fala em mandato de transição, acha que esta é o momento ideal para haver uma transição política?

Também é, mas quando falei na transição estava a referir-me concretamente ao facto do Faial, no tempo da governação social-democrata, ter sido altamente penalizado na área do investimento público regional. O PSD fez algum mas pouco face às necessidades, tal como o PS até 1997. É evidente que o sismo foi muito usado como desculpa, mas o que é certo é que muitas coisas pararam e nós atrasamo-nos em coisas fundamentais, como sejam as águas residuais, o abastecimento de água à lavoura, a rede viária, enfim… uma panóplia de coisas que já enumerei imensas vezes.

 

O candidato socialista mostrou-se receptivo a uma coligação. O candidato da CDU está disponível para isso?

Em termos de entendimento pós-eleitoral afirmo de forma categórica que estamos dispostos, quer sejamos o partido mais votado, quer sejamos o menos votado, a fazer esse entendimento.

Para haver uma coligação pré-eleitoral já deveriam ter sido feitos contactos para desencadear o processo e isso não aconteceu, pelo que não vejo que estejamos num quadro político geral e regional nesse sentido.

Da minha parte estou disposto a analisar todas as disponibilidades mas o mais realista é pensar-se que cada um vai avançar por sua conta e risco.

 

O saneamento básico vai ser também a sua bandeira de campanha?

A nossa ideia principal para esta campanha é, e popularizando, “a viola vai ser feita de novo”. Vão haver investimentos muito importantes no Faial e vamos ficar com uma “viola bem afinadinha e bem moderna” precisa é sabê-la tocar e o nosso programa vai procurar ser a pauta.

 

Acha mesmo que esse investimento vai ser todo concretizado?

Acho. E temos que ir lançando as bases para promover um desenvolvimento económico e social sustentado. Finalmente ganhou-se consciência de que é preciso resolver, e penso que todas as instâncias governamentais e não só têm que estar unidas nisto, que se relaciona com os problemas de marginalidade social que temos. Nós somos uma sociedade de mediania mas temos franjas que estão muito abaixo dessa mediania e essas diferenças têm que ser atenuadas.

É necessário explorar latentes potencialidades existentes, como sejam a Universidade dos Açores através do DOP. O nosso porto não morreu, muito pelo contrário é um dos mais importantes no cenário das escalas internacionais dos barcos de recreio e temos que melhorar isso.

Não podemos esquecer uma coisa fundamental, falo da Economia Produtiva. Refiro-me à economia leiteira e agro-pecuária e à pesca sustentada.

 

Em que medida é que a CMH pode intervir nestes aspectos?

Em muitos não pode intervir de forma directa, mas tem um papel reivindicativo e apelativo muito importante. Dentro das suas competências se conseguir atingir, e que ainda não conseguiu, uma melhoria da rede viária municipal, distribuição da rede de água à lavoura, entre outros, ajuda em muito os seus munícipes.

 

Porque é que a CDU é a melhor alternativa?

Pela construção que fomos fazendo aos longo dos anos.

 

Não tem medo de que as pessoas se acomodem ao que já têm ou ao sofá no dia das eleições?

Tenho e por isso é que temos que fazer uma campanha eleitoral intensa e esclarecedora. Explicando às pessoas que não queremos começar hostilidades. Não declarei nem quero fazer guerra a ninguém.

Teremos um programa actualizado para apresentar, com uma linha programática sustentada, apostando na renovação desta terra e na valorização daquilo que ela já tem. Não somos daqueles que olham para trás e dizem que nada foi feito. Dizemos sim que o Faial foi vítima duma tentativa de estrangulamento.

O conceito de desenvolvimento que defendemos é um conceito que tem que ser sustentado e defendendo os valores que nós temos e não os deturpe.

 

Que mensagem gostava de deixar aos faialenses?

Tenham confiança nesta força política que é a CDU e em mim. Tenham confiança na forma firme como, ao longo destes anos, temos defendido os interesses do Faial estando assim, no futuro, em condições de defender os interesses do Faial. A CDU continua com inteira disponibilidade para contribuir para o desenvolvimento do Faial.

    

1 comentários:

JOSE MANUEL disse...

por mais que decq mota se esforce nao conseguirá convencer o eleitorado não comunista que votou nele ha 4 anos. o desaire foi grande.muito pouco foi feito nos pelouros de que é responsavel.veja-se por exemplo a nivel do transito e do estacionamento,para nao falar dos contentores que tresandam a centenas de metros.se quiser exemplos é so dizer.no saneamento nem vale a pena falar pois 3 anos e meio para decidir um processo pelo mais complexo que seja diz tudo da sua capacidade executiva.à falta de coisas feitas vem falar do porto como se se tratasse de uma obra da camara. se quiser chamar a si esse louro então tambem tera de assumir responsabilidades naquilo que o governo vem e vira a adiar: campo de golfe, variante e mais recentemente estadio mario lino.os exemplo de comunistas nesta ilha em cargos de responsabilidade deixam muito a desejar.veja o que se passa no centro de saude onde foram tirar o tecto em pleno inverno mesmo sem as novas telhas ainda terem chegado.