O Popa recolhe informação essencial à certificação do Dolphin Safe da frota do atum açoriana bem como dados cruciais sobre espécies associadas á pesca. Para além disso, realiza a cobertura de outras pescarias que ocorrem nas nossas águas.
O Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA) constituiu o tema central de um workshop de dois dias que decorreu no Centro do Mar, na cidade da Horta. O encontro teve como objectivo principal debater o “passado, presente e futuro” deste programa, que foi criado nos Açores em 1998 com o objectivo de possibilitar a certificação “Dolphin safe” do atum capturado pela frota atuneira do arquipélago. Formação dos observadores, metodologias utilizadas na recolha dos dados, informatização e disponibilização de dados e reestruturação e alargamento do programa a outras pescarias foram alguns dos temas em debate neste primeiro workshop sobre o POPA. Como é sabido, o Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA) surgiu na região em 1998, com o objectivo de possibilitar a certificação “Dolphin safe”do atum capturado pela frota atuneira Açoriana. Desde aí, o POPA tem vindo a evoluir e a revelar-se como uma das principais ferramentas para a adequada monitorização e gestão dos recursos pesqueiros no Arquipélago dos Açores. Depois de uma década de trabalho e de resultados comprovados, tornou-se necessário reflectir sobre o que se fez mas também sobre o que resta fazer no que diz respeito à formação dos observadores, às metodologias utilizadas na recolha dos dados, à informatização e disponibilização dos mesmos, à reestruturação e alargamento do POPA a outras pescarias, entre outros. Ricardo Serrão Santos presidiu à sessão de abertura deste workshop e começou por fazer uma resenha histórica sobre o mesmo, e ressalvar a importância que tem tido ao longo desta década na qualificação e certificação dos nossos atuneiros e do nosso atum. Classificou o momento actual como “um momento essencial para o futuro do programa”. Élio Neves, responsável da APASA, veio demonstrar a satisfação do sector face ao POPA e deixou um desafio aos responsáveis europeus para que continuem a defender a pescaria do atum como arte milenar que é. Miguel Machete, o responsável pela gestão do programa apresentou aos cerca de 40 inscritos no workshop, os resultados destes dez anos de trabalho, e a principal ilação que se retira de toda a sua intervenção é que a captura acidental de golfinhos durante estes dez anos baixou consideravelmente, dai que os atuneiros sejam classificados como Dolphin Safe. O subsecretário regional das Pescas considera que o Programa de Observação para as Pescas dos Açores (POPA) potencia “todas as ferramentas que a ciência tem para melhorar o conhecimento sobre a actividade da pesca do atum”. A posição de Marcelo Pamplona foi expressa no final do workshop que contou com a participação de cientistas dos Açores e de vários países, entre os quais os Estados Unidos da América. Para o governante, “a articulação entre a ciência e a actividade profissional da pesca é fundamental”, designadamente para se “melhorar a captura através de uma maior racionalização da pesca, com recurso a instrumentos científicos de detecção de cardumes por satélite, que o Departamento de Oceanografia e Pescas já dispõe”. Permite, também, que as embarcações pesquem mais em conjunto e forneçam informação mais detalhada aos próprios cientistas, “para que se consiga estudar melhor como é feita a migração” dos tunídeos no arquipélago, acrescentou. Marcelo Pamplona destacou igualmente a circunstância da presença de cientistas norte-americanos neste workshop ter permitido aos investigadores açorianos um contacto com “metodologias diferentes”, uma vez que nos Estados Unidos existem também programas semelhantes ao POPA.
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